Ser mãe de gêmeos não é um tarefa fácil: requer mais cuidados, mas pode ser bastante tranquila, se tomadas as devidas precauções

Ser mãe de gêmeos não é um tarefa fácil. Ainda mais se os pais não tiverem a menor noção da probabilidade de terem dois bebês de uma vez só.

Segundo a ginecologista e obstetra Gisela Aparecida do Prado, “quando existem gêmeos não idênticos em uma família, a chance de eles aparecerem novamente é dez vezes maior do que em famílias sem histórico de gestação gemelar”.

Os gêmeos bivitelinos – os não idênticos ou fraternos – são formados pela fecundação de dois óvulos por dois espermatozóides e sua gestação ocorre como se fossem duas gestações distintas, mas acontecendo ao mesmo tempo e no mesmo ambiente.

Já os gêmeos univitelinos formam-se quando um único óvulo é fecundado por um único espermatozóide, posteriormente passando por uma divisão. Diferentemente dos fraternos, eles obrigatoriamente têm a mesma carga genética e mesmo sexo.

De acordo com Gisela, a incidência natural das gestações gemelares é de 1 em 90, sendo que 2/3 são de gêmeos bivitelinos e apenas 1/3 é de gêmeos idênticos.

E ser gêmeo não significa ser igual. Bem ao contrário, as diferenças entre os irmãos, aliás, já podem ser notadas ainda na gestação.

“Na vida intrauterina, os gêmeos apresentam respostas diferentes ao meio ambiente ou a qualquer tipo de agressão, sendo possível observar, durante um ultrassom, um dos gemelares constantemente mais agitado do que o outro”, exemplifica.

Essas diferenças se acentuam no pós-parto mesmo em gêmeos idênticos que, apesar de geneticamente iguais, possuem personalidades diferentes.

Gestação gemelar pede mais atenção

Os cuidados durante uma gravidez de gêmeos devem ser maiores, pois as modificações no organismo da gestante são diferentes de quando a gestação é de apenas um bebê.

Os volumes do útero e do sangue, por exemplo, aumentam quase o dobro e, em termos de nutrição, as necessidades serão muito maiores, sendo preciso a ingestão de 300 calorias a mais por dia, além de vitaminas, ferro e ácido fólico.

“Com relação à saúde, é maior a probabilidade do desenvolvimento de hipertensão arterial, diabetes e parto prematuro. O parto prematuro é, inclusive, a complicação mais frequente nesse tipo de gravidez”, comenta a médica.

Assim, as visitas ao obstetra e os exames de ultrassom precisam acontecer com maior regularidade, sendo que as consultas no último semestre de gestação passam a ser semanais.

A maioria dos partos de gêmeos acaba sendo cesárea, mas o normal é, sim, possível e depende da posição em que os bebês estejam.

“O ideal é que os dois estejam de cabeça para baixo, o que acontece em 40% dos casos. Caso o segundo bebê esteja em posição diferente, ainda é possível realizar algumas manobras para que ocorra o parto normal”, afirma a obstetra.

Preparo também é psicológico

É comum que o susto seja o primeiro sentimento a transparecer nos pais depois do anúncio da gravidez gemelar. Foi isso o que aconteceu com Miriam, 45 anos, mãe dos gêmeos Gabriel e Gustavo, que acabaram de atingir a maioridade.

“Fiquei sabendo através de um exame de ultrassonografia no quarto mês de gravidez. Quando soube, tive um acesso de riso tão grande, que o médico precisou pedir para eu parar, pois ele não estava conseguindo me examinar”, comenta Miriam.

Assim como muitos pais de gêmeos, ela e o marido nem imaginavam da chance desse tipo de gravidez acontecer.

“Depois que eu soube dos gêmeos, fui investigar a probabilidade. A irmã da minha sogra teve uma irmã gêmea que faleceu no parto e meu avô paterno também teve um caso mais distante na família”, relata.

Nesta situação, buscar informações para tentar entender o que está acontecendo com o corpo da mulher grávida e os detalhes da gestação são essenciais para a família.

“Quanto mais ler, conversar com quem já teve gêmeos e tirar dúvidas, melhor. Isso pode ajudar a desmistificar algumas ideias e perceber quais as reais necessidades em que a mulher deve focar para se organizar melhor”, comenta a obstetra Gisela.

Além disso, o apoio do marido, dos familiares e amigos é muito importante – tanto para dividir os cuidados com os bebês, como para aliviar o estresse da mãe.

Segundo Miriam, são muitas as situações desafiadoras para as mães de gêmeos. “Sair sozinha, era impossível! Consegui apenas quando eles tinham uns 6 anos. Até mesmo para ir no banheiro quando eles eram bebês eu tinha que levar os dois carrinhos. Outra situação acontecia nos aniversários: as pessoas davam sempre dois brinquedos diferentes para eles, achando que eles trocariam. Mas era uma briga quando eles identificavam algum detalhe diferente”, comenta.

Apesar das dificuldades, ter gêmeos significa ter amor e carinho em dobro. “É um aprendizado a cada dia. Eles são muito amigos e companheiros entre eles, e isso também me dá uma satisfação muito grande”, finaliza a mãe.

O checklist da grávida

5 observações importantes para a mãe de gêmeos, segundo a ginecologista e obstetra Gisela Aparecida do Prado:

  1. O diagnóstico precoce é sinônimo de um pré-natal mais cuidadoso;
  2. Tenha uma alimentação equilibrada para evitar o ganho excessivo de peso e outras prováveis irregularidades;
  3. Mantenha o equilibrio emocional e conte com o companheirismo do marido e da família durante e após a gestação;
  4. Dedique-se bastante para a amamentação dos bebês;
  5. E por último, mas não menos importante: paciência e muito amor são a base de tudo!

Fonte: http://disneybabble.uol.com.br/

Foto: http://all-free-download.com/

 

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